Corpos Artísticos

A história da criação dos corpos artísticos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro se confunde, durante certo período, com a história do Teatro Colón de Buenos Aires.

Quando foi inaugurado, em 1909, o Theatro Municipal não possuía os corpos artísticos. Durante sua primeira década (1909 – 1919) as companhias vinham completas da Europa, principalmente da Itália, aqui desembarcando com centenas de artistas que formavam o coro e a orquestra, além dos solistas, maestros, pianistas, bailarinos e demais profissionais. As temporadas líricas e de balé eram então organizadas pelos grandes empresários daquela época (Faustino da Rosa, Walter Mocchi, Ottavio Scotto) que dominavam as praças do Rio, São Paulo, Montevidéu e Buenos Aires. As produções viajavam de uma cidade a outra e os arquivos dos teatros mostram as semelhanças entre as temporadas, muitas vezes com o mesmo repertório, solistas, regentes, cenários e figurinos.

Na década seguinte (1920 – 1929) os empresários passaram a contratar elementos locais para completar suas companhias, em especial para a orquestra, isto porque já existiam nas cidades conjuntos destinados ao gênero sinfônico como, no caso do Rio de Janeiro, a Sociedade de Concertos Populares, fundada pelo maestro Carlos de Mesquita em 1887, e a Orquestra da Sociedade de Concertos Sinfônicos, fundada em 1901 e que tinha como principal regente o maestro Francisco Braga.

Em 1925, entretanto, o Colón estabeleceu seus corpos artísticos estáveis e começou a implantar o principio da “municipalização” das temporadas, isto é, organizadas pela prefeitura. As temporadas líricas de Buenos Aires continuaram nas mãos dos grandes empresários ainda por alguns anos, mas a partir de 1931 passaram a ser totalmente geridas pela municipalidade. Com a perda da praça de Buenos Aires, que tornou economicamente inviável trazer coro e orquestra completos da Europa, os empresários passaram a contratar cada vez mais músicos locais.

Estimulado pela solução portenha, o Interventor Federal da cidade do Rio de Janeiro, Adolfo Bergamini (1886-1945), chegou à conclusão de que seria vantajoso, sob todos os aspectos terminar com o sistema de contratação de músicos avulsos que vigorara nas duas décadas precedentes e decidiu por criar corpos artísticos estáveis para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.